Como matar um policial?

 Investigador Criminal da  Polícia Civil da Paraíba João Roberto


como matar um policial? Depende. Se a ideia for assassiná-lo rapidamente, basta uma emboscada bem planejada com tiros certeiros. Centenas são executados assim no Brasil anualmente. Mas se o ‘projeto’ for a longo prazo, siga as dicas abaixo:

1 – A propaganda
Anuncie um concurso público, atraia milhares de pessoas vocacionadas, realize todas as etapas e passe SEIS ANOS para nomear esse povo. Na Academia de Polícia, diga que tudo é lindo e belo; que aqueles futuros policiais irão, de fato, fazer o que tanto sonharam – combater o crime e proteger a sociedade – e que não irá faltar nada para a boa execução do trabalho.


2 – A realidade
Distribua aquele contingente de novos policiais conforme os seus (os SEUS!) interesses, sem se preocupar com o que irá acontecer depois. Afinal, “é você quem manda aqui”. Se o policial reclamar, você transfere ele para outro lugar que VOCÊ deseja.

3 – “Coletes?”
Se por acaso esse policial participar de um dia de mobilização por causa da falta de coletes balísticos – um direito básico dele –, aí você o pune com uma falta, reduzindo-lhe o que já é conhecido nacionalmente como “O pior salário do Brasil”. Pode punir sem medo. Até policiais que estavam de FÉRIAS e resolveram aderir ao movimento também receberam a punição e ficou por isso mesmo.

4 – “Folgas?”
Há quem diga no Brasil que a chamada “hora extra” é só para quem quer/pretende/aceita/concorda fazer uso dela. Afinal, o trabalhador já cumpriu toda a sua carga horária obrigatória e, obviamente, tem direito ao seu momento de descanso. Mas o projeto aqui é “como matar um policial”, lembra? Então, você determina que o policial só deve folgar quando VOCÊ quiser. Ponto final. Que se dane.

5 – Repete!
Se, por acaso, esse policial não parar de encher o saco com essas ideias de ‘direitos’, aí você transfere ele de novo para outra delegacia. De preferência que ela fique a 50 ou 100 quilômetros de distância de sua casa/família. Talvez desta vez ele ‘aprenda’.

6 – Insista!
Talvez esse policial até caia na real e deixe de falar em ‘direitos’. Mas se ele for casca dura, não hesite: mande-o para o outro extremo do estado. Quanto mais longe, mais interessante. É você quem manda, pow!

7 – Os sinais
Você irá perceber que, com o tempo, ou esse policial ‘se toca’ e entende de uma vez por todas que aquelas aulas na Academia de Polícia nada têm a ver com o mundo real, ou ele começa a apresentar os primeiros sinais de que seu plano está indo bem: estresse, alcoolismo, drogas, depressão…

8 – Tá quase lá!
Quando o seu ‘alvo’ chegar a esse nível, aí é só você manter a postura do seu nariz acima do olhar dele. Falta pouco para ele matar o que sentia de bom por dentro.

9 – Xeque…
Transferido, pressionado, ameaçado, onerado, estressado, explorado até em sua folga, aquele sujeito cheio de vontade de “combater o crime” vai bater o martelo. É só mais um pouquinho…

10 – … MATE!
Pronto. Campo fértil para um enfarto, um ‘AVC’ ou, nos casos mais macabros, um suicídio. Centenas são executados assim no Brasil – na Paraíba –, anualmente.

João Roberto
As primeiras horas de hoje, 11 de março de 2019, a Polícia Civil da Paraíba recebeu a triste notícia (mais uma!) de que o Investigador Criminal João Roberto havia tirado a própria vida com um tiro, na cidade de Maceió. Ele já foi policial militar do BOPE em Alagoas, mas em 2015 ingressou na PC paraibana, por meio de concurso público.

Antes de se matar, João gravou um vídeo que repercute na internet, cujo conteúdo inspira cada tópico listado acima.

Que Deus conforte sua família.
PARAÍBAEMQAP

20:48
11/03/2019

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