A saga de um Cabo de quase expulso da PM a Deputado Estadual da Paraíba.


Gilberto Silva
Cabo PM e Deputado Estadual da Paraíba

Em 18 de dezembro, no dia da diplomação dos eleitos no estado, chamou a atenção o deputado eleito Cabo Gilberto, ter dispensado sua nova farda de terno e subido o palco com farda de gala militar, e, ao passar pelo governador de então, bateu continência ao “superior” como manda o protocolo militar. Afinal, o ex-governador hoje, naquele instante era o comandante maior da PM. Um estridente tapa de luva de pelica!



Tudo não passaria de rotina de festa, não fosse a dura trajetória do Cabo Gilberto no governo de RC. Desde sofrer IPM (Inquérito Policial Militar) a recordista de sindicâncias internas, a sua condição de semi-expulso era diária. Profissional ameaçado a todo o instante de perder o sustento de sua família por este governo que estranhamente o impedia de fazer aquilo que antes fazia até com certa virulência nas greves. Cabo Gilberto simplesmente dava entrevistas e ia a assembleia fardado pedindo para os representantes do povo olharem para as políticas de segurança pública. Nem mais nem menos que isso. Mas o bastante para quererem a cabeça do “Cabo rebelde”, culpado de ser babão do serviço público em vez de ser do gestor. Como outros de ascensão meteóricas e suspeitas o são. O grande mérito do Cabo, portanto, consiste na sua escolha de resistir, e, em vez de render-se ao regime imposto pelo gestor, foi pedir ajuda a democracia. Virou deputado estadual, e na diplomação fez questão de lembrar sua origem de Cabo da PM. A de soldado da segurança pública antes de tudo. Na filosofia chamamos isto de um gesto metalinguístico, capaz de na fala, falar-se também sobre o como se fala. Enfim, algo que justamente por não ter sido deboche, revanche e nem protesto, tem efeito e mensagem maior que tudo isso junto. O seu "veni vidi vici" além de servir para todos os injustiçados que se encontram em situação análoga, sobretudo os profissionais da segurança esquecidos, deixou claro que sua autoridade nada mais é que fruto de sua condição de servidor da sociedade e da segurança pública.


Todas as pessoas que estão na ponta da ação pública, prestando serviços diretamente, em geral esquecidos e desvalorizados, como garis, agentes de saúde e outros mais de ação direta e finalística, sabem bem o que é ver os de cima e constatar como tudo de lá é tão distante das ruas e dos usuários. Algo que hoje estamos a enxergar no episódio “burocrático” das compras e dos “fornecedores” da Cruz Vermelha...

Importante observar que agora, em 2019, em todas suas entrevistas o deputado passa transcendência. Alega que como deputado não perseguirá governo ou gestores e terá a medida do bem comum como guia constante independente de passado. Independente de quem concorda com ele ou não. Num segundo e definitivo tapa de luva de pelica. Com seu pleno domínio da arte de dar socos morais com simples tapas de luva, isso para quem é treinado para o confronto direto de armas de fogo contra bandidos de quarteirão, o novo deputado se demonstra espiritualizado e pronto para o enfrentamento dos saqueadores de cidades e estados inteiros. A cidadania aguarda com bons olhos essa serenidade e firmeza.
Blog do Renato Martins

19:42
11/01/2019

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