EUA anunciam saída do Conselho de Direitos Humanos da ONU


Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump fala durante discussão sobre a
reforma de taxas em Cleveland, Ohio - 05/05/2018
(Aaron P. Bernstein/Reuters)

A administração do presidente Donald Trump vai retirar os Estados Unidos do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, anunciou nesta quarta-feira (19) a embaixadora do país na ONU, Nikki Haley. A decisão foi tomada após muitas reclamações sobre a hipocrisia do órgão e críticas por sua posição contrária à Israel.


Ao lado do secretário de Estado Mike Pompeo, Haley defendeu a medida, dizendo que os pedidos de reforma feitos pelos Estados Unidos ao órgão não foram atendidos.

Os americanos há muito acusam o Conselho de ser tendencioso contra Israel. Também criticam o órgão por aceitar como membros países que frequentemente são acusados de abusos dos diretos humanos, como China e Arábia Saudita.

“Abusadores de direitos humanos continuam a servir e a ser eleitos para o Conselho”, disse Haley. “Os regimes mais desumanos do mundo continuam a escapar de suas críticas e o Conselho continua politizando as reclamações de países com registros positivos de direitos humanos na tentativa de desviar a atenção dos agressores. ”

“Damos este passo porque nosso comprometimento não nos permite continuar fazendo parte de uma organização hipócrita, autocentrada, que faz gozação dos direitos humanos”, afirmou.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, lamentou a decisão dizendo que “teria preferido muito” que os Estados Unidos permanecessem no Conselho. “A arquitetura de direitos humanos da ONU tem um papel muito importante na promoção e proteção dos direitos humanos em todo o mundo”.

Ainda não está claro se os Estados Unidos deixarão o órgão e não cooperarão mais com suas ações de nenhuma forma ou se continuarão a atuar pelo menos como observadores e auxiliando nas investigações.

O anuncio acontece dois dias após o alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, criticar as novas políticas imigratórias americanas que estão separando pais e filhos na fronteira com o México.

O governo de Donald Trump é acusado por outras grandes potências, como a França, de estar se isolando cada vez mais do resto do mundo.

Neste ano, os Estados Unidos já anunciaram sua decisão de sair do acordo nuclear com o Irã, impuseram novas taxas sobre as importações de aço e alumínio da União Europeia e outras nações e reconheceram Jerusalém como a capital de Israel, contrariando o consenso internacional.

A saída do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas deve provocar ainda mais críticas em relação ao isolamento americano.
Veja.com.br


20:16
19/16/2018

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